terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Mensagem 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações - 2016

Tema: «A Igreja, mãe de vocações»
 (17 de Abril de 2016 - IV Domingo da Páscoa)
Amados irmãos e irmãs!
Como gostaria que todos os batizados pudessem, no decurso do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, experimentar a alegria de pertencer à Igreja! E pudessem redescobrir que a vocação cristã, bem como as vocações particulares, nascem no meio do povo de Deus e são dons da misericórdia divina! A Igreja é a casa da misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto.
Por este motivo, dirijo-me a todos vós, por ocasião deste 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, convidando-vos a contemplar a comunidade apostólica e a dar graças pela função da comunidade no caminho vocacional de cada um. Na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, recordei as palavras de São Beda, o Venerável, a propósito da vocação de São Mateus: «Miserando atque eligendo» (Misericordiae Vultus, 8). A acção misericordiosa do Senhor perdoa os nossos pecados e abre-nos a uma vida nova que se concretiza na chamada ao discipulado e à missão. Toda a vocação na Igreja tem a sua origem no olhar compassivo de Jesus. A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo missionário.
O Beato Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, descreveu os passos do processo da evangelização. Um deles é a adesão à comunidade cristã (cf. n. 23), da qual se recebeu o testemunho da fé e a proclamação explícita da misericórdia do Senhor. Esta incorporação comunitária compreende toda a riqueza da vida eclesial, particularmente os Sacramentos. A Igreja não é só um lugar onde se crê, mas também objecto da nossa fé; por isso, dizemos no Credo: «Creio na Igreja».
A chamada de Deus acontece através da mediação comunitária. Deus chama-nos a fazer parte da Igreja e, depois dum certo amadurecimento nela, dá-nos uma vocação específica. O caminho vocacional é feito juntamente com os irmãos e as irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação. O dinamismo eclesial da vocação é um antídoto contra a indiferença e o individualismo. Estabelece aquela comunhão onde a indiferença foi vencida pelo amor, porque exige que saiamos de nós mesmos, colocando a nossa existência ao serviço do desígnio de Deus e assumindo a situação histórica do seu povo santo.
Neste Dia dedicado à oração pelas vocações, desejo exortar todos os fiéis a assumirem as suas responsabilidades no cuidado e discernimento vocacionais. Quando os Apóstolos procuravam alguém para ocupar o lugar de Judas Iscariotes, São Pedro reuniu cento e vinte irmãos (cf. Act 1, 15); e, para a escolha dos sete diáconos, foi convocado o grupo dos discípulos (cf. Act 6, 2). São Paulo dá a Tito critérios específicos para a escolha dos presbíteros (cf. Tt 1, 5-9). Também hoje, a comunidade cristã não cessa de estar presente na germinação das vocações, na sua formação e na sua perseverança (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 107).
A vocação nasce na Igreja. Desde o despertar duma vocação, é necessário um justo «sentido» de Igreja. Ninguém é chamado exclusivamente para uma determinada região, nem para um grupo ou movimento eclesial, mas para a Igreja e para o mundo. «Um sinal claro da autenticidade dum carisma é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se integrar harmonicamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos» (Ibid., 130). Respondendo à chamada de Deus, o jovem vê alargar-se o próprio horizonte eclesial, pode considerar os múltiplos carismas e realizar assim um discernimento mais objectivo. Deste modo, a comunidade torna-se a casa e a família onde nasce a vocação. O candidato contempla, agradecido, esta mediação comunitária como elemento imprescindível para o seu futuro. Aprende a conhecer e a amar os irmãos e irmãs que percorrem caminhos diferentes do seu; e estes vínculos reforçam a comunhão em todos.
A vocação cresce na Igreja. Durante o processo de formação, os candidatos às diversas vocações precisam de conhecer cada vez melhor a comunidade eclesial, superando a visão limitada que todos temos inicialmente. Com tal finalidade, é oportuno fazer alguma experiência apostólica juntamente com outros membros da comunidade, como, por exemplo, comunicar a mensagem cristã ao lado dum bom catequista; experimentar a evangelização nas periferias juntamente com uma comunidade religiosa; descobrir o tesouro da contemplação, partilhando a vida de clausura; conhecer melhor a missão ad gentes em contacto com os missionários; e, com os sacerdotes diocesanos, aprofundar a experiência da pastoral na paróquia e na diocese. Para aqueles que já estão em formação, a comunidade eclesial permanece sempre o espaço educativo fundamental, pelo qual se sente gratidão.
A vocação é sustentada pela Igreja. Depois do compromisso definitivo, o caminho vocacional na Igreja não termina, mas continua na disponibilidade para o serviço, na perseverança e na formação permanente. Quem consagrou a própria vida ao Senhor, está pronto a servir a Igreja onde esta tiver necessidade. A missão de Paulo e Barnabé é um exemplo desta disponibilidade eclesial. Enviados em missão pelo Espírito Santo e pela comunidade de Antioquia (cf. Act 13, 1-4), regressaram depois à mesma comunidade e narraram aquilo que o Senhor fizera por meio deles (cf. Act 14, 27). Os missionários são acompanhados e sustentados pela comunidade cristã, que permanece uma referência vital, como a pátria visível onde encontram segurança aqueles que realizam a peregrinação para a vida eterna.
Dentre os agentes pastorais, revestem-se de particular relevância os sacerdotes. Por meio do seu ministério, torna-se presente a palavra de Jesus que disse: «Eu sou a porta das ovelhas (...). Eu sou o bom pastor» (Jo 10, 7.11). O cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do seu ministério. Os sacerdotes acompanham tanto aqueles que andam à procura da própria vocação, como os que já ofereceram a vida ao serviço de Deus e da comunidade.
Todos os fiéis são chamados a consciencializar-se do dinamismo eclesial da vocação, para que as comunidades de fé possam tornar-se, a exemplo da Virgem Maria, seio materno que acolhe o dom do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35-38). A maternidade da Igreja exprime-se através da oração perseverante pelas vocações e da acção educativa e de acompanhamento daqueles que sentem a chamada de Deus. Fá-lo também mediante uma cuidadosa selecção dos candidatos ao ministério ordenado e à vida consagrada. Enfim, é mãe das vocações pelo contínuo apoio daqueles que consagraram a vida ao serviço dos outros.
Peçamos ao Senhor que conceda, a todas as pessoas que estão a realizar um caminho vocacional, uma profunda adesão à Igreja; e que o Espírito Santo reforce, nos Pastores e em todos os fiéis, a comunhão, o discernimento e a paternidade ou maternidade espiritual.
Pai de misericórdia, que destes o vosso Filho pela nossa salvação e sempre nos sustentais com os dons do vosso Espírito, concedei-nos comunidades cristãs vivas, fervorosas e felizes, que sejam fontes de vida fraterna e suscitem nos jovens o desejo de se consagrarem a Vós e à evangelização. Sustentai-as no seu compromisso de propor uma adequada catequese vocacional e caminhos de especial consagração. Dai sabedoria para o necessário discernimento vocacional, de modo que, em tudo, resplandeça a grandeza do vosso amor misericordioso. Maria, Mãe e educadora de Jesus, interceda por cada comunidade cristã, para que, tornada fecunda pelo Espírito Santo, seja fonte de vocações autênticas para o serviço do povo santo de Deus.
Cidade do Vaticano, 29 de Novembro – I Domingo do Advento – de 2015.
Franciscus

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Jovens o que querem fazer das suas vidas?

O Papa Francisco falou sobre sua recente viagem à África na Audiência Geral desta quarta-feira, na Praça de São Pedro. Por sua vez, convidou os jovens a pensar em sua vocação e sobre a possibilidade de o Senhor os chamar para ser missionários e evangelizar em qualquer lugar do mundo.

Os missionários são “homens e mulheres que deixaram tudo, a pátria, desde jovens e se foram, em uma vida de muito trabalho, às vezes dormindo sobre a terra, toda a vida”, disse Francisco.
Em seguida, contou uma anedota que lhe ocorreu na República Centro-Africana: “Em um momento encontrei em Bangui uma religiosa italiana, via-se que era anciã: ‘Quantos anos tem?’, perguntei-lhe. ‘81’. ‘Ah, não muito… dois a mais do que eu, não muito’. Estava com uma menina e a menina, em italiano, chamava a freira de ‘vovó’. 81 anos e estava ali desde que tinha 23 ou 24 anos. Toda a vida. E, como ela, muitos. ‘Mas eu não sou daqui, sou do país vizinho, do Congo, mas vim em canoa com esta menina’”.
“Assim são os missionários, valentes. ‘E o que você faz, irmã?’. ‘Eu sou enfermeira e depois estudei um pouco e me tornei parteira, ajudei a nascer 3.280 crianças”.
“Uma vida inteira pela vida dos outros. Como ela, existem tantos outros, religiosos, padres, missionários que ‘queimam’ suas vidas para anunciar Jesus Cristo. Isto é muito bonito”.
O Papa continuou improvisando: “Eu gostaria de dizer uma coisa aos jovens… há poucos porque a natalidade na Europa parece que é um luxo. Natalidade 0%, natalidade 1%. Mas, me dirijo aos jovens: pensem no que farão de suas vidas, pensem nesta religiosa e em tantas como ela, que deram a vida e muitos morreram ali. A missionariedade não é fazer proselitismo, porque esta irmã me disse que até os muçulmanos vão até elas porque sabem que as freiras são boas enfermeiras que curam bem e não fazem catequese para convertê-los, a não ser testemunho, e a quem quiser, dão catequese. Testemunho: esta é a grande missionariedade heroica da Igreja, anunciar Jesus Cristo com a própria vida”.
“Dirijo-me aos jovens: o que pensam, o que querem fazer com sua vida? É o momento de pensar e pedir ao Senhor que te faça sentir a vontade dele, mas não excluam por favor esta possibilidade de ser missionários para levar o amor, a humanidade, a fé a outros países. Não para fazer proselitismo, isso o fazem outros que procuram outra coisa. A fé se prega primeiro com o testemunho e depois com a palavra, lentamente”.
Na catequese, o Pontífice relembrou os três países do continente africano que visitou durante seis dias, Quênia, Uganda e República Centro-Africana, de onde retornou a Roma na segunda-feira, 30 de novembro.
Francisco afirmou que o Quênia “representa bem o desafio global de nossos tempos: tutelar a criação reformando o modelo de desenvolvimento de modo que seja justo, inclusivo e sustentável”.
Sobre a capital, Nairóbi, (onde esteve), afirmou que “convivem a riqueza e a miséria, e isto é um escândalo, não só na África, mas aqui também, a convivência entre riqueza e miséria é uma vergonha para a humanidade”.
Ao repassar os atos que celebrou, sublinhou que se encontrou com muitos jovens. “Em cada ocasião animei-os a tomar como um tesouro a grande riqueza desse país: riqueza natural e espiritual, constituída dos recursos da terra, das novas gerações e dos valores que formam a sabedoria do povo”.
“Neste contexto assim dramaticamente atual, tive a alegria de levar a palavra de esperança de Jesus Ressuscitado: ‘Sejam firmes na fé, não tenham medo’ era o lema da visita. Uma palavra que é vivida cada dia por tantas pessoas humildes e singelas, com uma nobre dignidade”.
De Uganda, explicou que sua visita se celebrou no contexto dos 50 anos de canonização dos mártires deste país, pelo Papa Paulo VI. O lema foi “Vocês serão minhas testemunhas’’ e “toda a visita se desenvolveu no ardor do testemunho animado pelo Espírito Santo”.
“Testemunho no sentido explícito é o serviço dos catequistas, aos quais agradeci e animei por seu compromisso, que frequentemente corresponde também a suas famílias”.
“Testemunho como o da caridade, que pude tocar com a mão na Casa do Nalukolongo, e que vê comprometidas tantas comunidades e associações no serviço aos mais pobres, incapacitados e doentes”.
“Testemunho dos jovens que, apesar das dificuldades, guardam o dom da esperança e procuram viver segundo o Evangelho e não segundo o mundo, indo contra a corrente”.
“Testemunhos dos sacerdotes, dos consagrados e consagradas que renovam dia a dia seu ‘sim’ total a Cristo e se dedicam com alegria ao serviço do povo santo de Deus”.
Francisco disse que “todo este testemunho multiforme, animado pelo Espírito Santo, é levedura para toda a sociedade”.
Em relação à República Centro-Africana, o Santo Padre revelou que esta visita era, na verdade, a primeira de suas intenções, “porque o país está tentando sair de uma fase difícil, de conflitos violentos e muito sofrimento para a população”.
“Foi por isso que quis abrir, uma semana antes, a Porta Santa do Jubileu da Misericórdia em um país que sofre muito, como sinal de fé e esperança para aquele povo e simbolicamente para todos os povos africanos mais necessitados de resgate e consolo”.
Fazendo referência às palavras do Evangelho “passar À outra borda”, Francisco explicou que “significa deixar para trás a guerra, as divisões, a miséria, e escolher a paz, a reconciliação, o progresso”.
“Mas isto pressupõe um ‘passo’ que se dá nas consciências, nas atitudes e nas intenções das pessoas”.
O Papa recordou que na última Missa, no estádio do Bangui, “renovamos o compromisso de seguir Jesus, nossa esperança, nossa paz, Rosto da divina misericórdia”.
“Esta última Missa foi maravilhosa, estava cheia de jovens, um estádio jovem, mas mais da metade da população da República Centro-Africana são menores, têm menos de 18 anos, é uma promessa para ir adiante”.
Na última parte da Audiência, ao saudar os peregrinos de língua italiana, fez um convite a viver o Advento. “No domingo passado, iniciamos o Tempo de Advento. Exorto todos a viver este tempo de preparação ao nascimento do Jesus, Rosto do Pai misericordioso, no contexto extraordinário do Jubileu, com espírito de caridade, maior atenção a quem está na necessidade, e com momentos de oração pessoal e comunitária”.
“Dirijo uma saudação aos jovens, enfermos e recém-casados. Que o Deus da paz os de estímulo, queridos jovens, para ser promotores de diálogo e compreensão; ajude vocês, queridos enfermos, a olhar a cruz de Cristo para aprender a confrontar com serenidade o sofrimento; e favoreça a vocês, queridos esposos recém-casados, o crescimento da paz e do amor em suas novas famílias”.
Fonte: Aci Digital

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Dizer teu nome Maria

Dizer teu nome, Maria,
é dizer que a pobreza
compra os olhares de Deus.
Dizer teu nome, Maria,
é dizer que a promessa
vem com leite de mulher.
Dizer teu nome, Maria,
é dizer que a nossa carne
veste o silêncio do Verbo.
Dizer teu nome, Maria,
é dizer que o Reino chega
caminhando com a história.
Dizer teu nome, Maria,
é dizer ao pé da cruz
e nas chamas do Espírito.
Dizer teu nome, Maria,
é dizer que todo nome
pode estar cheio de graça.
Dizer teu nome, Maria,
é chamar-te toda Sua,
causa da nossa alegria.
(Dom Pedro Casaldáliga)

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Maria, fortalece-nos na nossa travessia.
Tu, que foste peregrina na fé, arriscando-te em Deus, renovando tua opção diante dos novos desafios, ajuda-nos a não parar no meio da estrada.
Quantas vezes, Maria, a escuridão nos invade a alma.
O desânimo toma conta de nós e não temos mais vontade de caminhar.
Mostra-nos que vale a pena, dá-nos a mão.
Jesus está conosco!
Ensina-nos, sobretudo, a descobrir, como tu, que a travessia é bela.
Amém.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Maria, a jovem vocacionada

Quando Maria era jovem, menina nova e cheia de vida, ela recebeu uma mensagem especial. Deus, através de seu anjo, convidou-a a assumir a missão de mãe e educadora do Cristo. Depois de perguntar, questionar e buscar saber como isso aconteceria, Maria respondeu com toda inteireza: “Eis aqui a servidora do Senhor” (Lc 1,38). Ela não pensou em vantagens, em glórias, em ser famosa, e sim no verdadeiro serviço. A palavra “serva” ou “servidora” tem muitos sentidos. Algumas bíblias traduzem-na mal, usando o termo “escrava”. Na realidade, o povo de Jesus não aceitava a escravidão. Os hebreus guardavam viva na memória, e recordavam cada ano na festa da páscoa, que Deus havia libertado seu po
vo da servidão do Egito, onde eles tinham sofrido muito, em condições horríveis. Assim, até o preceito do sábado era para também lembrar que eles eram um povo livre, pois o escravo não tem direito ao descanso.  Até os animais deveriam descansar no sábado (Dt 5,6.12-15). Ora, somente quem é livre pode tomar decisões. Somente quem é dono de sua vida, e não está submetido aos outros, pode fazer opções com inteireza. Servir por opção, não por pressão. Assim aconteceu com Maria.
Logo depois que diz “sim”, Maria sai apressadamente para visitar Isabel (Lc 1,39). Era uma região montanhosa, difícil de chegar. Mas, quem está convencido que deve servir, não reclama das dificuldades e arruma um jeito de superar os obstáculos. Como Maria chegou até lá? Quem a acompanhou, pois as mulheres naquele tempo não podiam andar sozinhas? Quanto tempo durou a viagem? A gente não sabe. O que podemos dizer é que Maria e Isabel passaram algum tempo juntas. E então viveram uma intensa experiência de comunidade. A gravidez de Isabel começou três meses antes. Maria veio para servir sua parenta, mas ela também estava grávida. Para as duas, era a primeira vez. Quantas esperanças, quantas dúvidas, e alguns temores... Seguramente, Maria também aprendeu muita coisa com Isabel, que já era uma mulher de idade avançada, com muita sabedoria.
Assim acontece quando a gente se coloca a serviço dos outros. Aprendemos e ensinamos. Doamos e recebemos. Esta é uma das belezas do serviço, quando ele é realizado com liberdade, generosidade e desprendimento. Gratuitamente, sem pedir nem exigir, há um retorno do amor. Pois o serviço traz junto a reciprocidade. Quem recebe gestos de amor, com gratidão quer também fazer algo parecido. Para o outro ou para os outros.
No encontro com Isabel, Maria entoa um belo cântico de louvor a Deus. E agradece ao Senhor que “olhou para sua humilde servidora” (Lc 1,48). Novamente, sai de sua boca o que está no coração. Como Jesus, ela veio para servir a Deus e aos outros!
A partir de Maria, podemos traduzir de muitas formas a nossa resposta a Jesus, como um serviço às pessoas, aos grupos, à transformação da sociedade. Dizemos então: Jesus, eu também vim para servir! Venho para ajudar quem precisa, venho para ensinar e aprender, venho para evangelizar, venho para construir comunidade, venho para denunciar as injustiças, venho para animar os tristes, venho para trazer uma palavra de esperança, venho para ouvir e acolher, venho para louvar pelas maravilhas que o Senhor realiza no meio de nós.
A vida cristã é um constante movimento de ir e vir, como discípulo/a e missionário/a de Jesus e de seu Reino. E Maria está conosco sempre, como servidora, mãe, exemplo e companheira do caminho!

Afonso Murad - Publicado na Revista de Aparecida

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pais digitais com filhos superconectados

Pais digitais com filhos superconectados. O desafio é a qualidade das relações
O que significa ser um pai na era digital? A resposta requer muito mais do que uma mera reflexão superficial, porque entre os chamados "nativos digitais" encontra-se a geração dos "milennials", ou seja, aqueles que nasceram entre 1980 e 2000, muitos dos quais estão começando a ter ou têm os seus primeiros filhos.
E, precisamente, os "milennials" são aqueles que estão na capa da revista Time de outubro de 2015 com um artigo cujo título é pouco inspirador: “Socorro, os meus pais são milennials".
O artigo começa mostrando os novos hábitos alimentares dessa nova geração de pais (veganos ou vegetarianos) e descrevendo sua característica principal: são pessoas que cresceram com smartphones e conectados nas redes sociais: sua vida é documentada com fotos no Instagram, pensamentos em blogs e comentários no Facebook.
Essa mentalidade 'digital' na qual a autoridade é determinada pela popularidade mensurável em "curtidas" ou número de "seguidores" passa depois, também, para o ambiente familiar: os filhos podem ir aonde quiserem porque o lar é uma mini democracia ou, o que é o mesmo, uma “autoridade consensual". A permissividade é quase, quase, uma lei de relações intrafamiliares.
Uma pesquisa feita pela Survey Monkey revelava que pelo menos 46% dos pais milennials postou fotos de seus filhos, até mesmo quando estes só se encontravam no útero materno ou antes de que o seu filho fizesse um ano. De acordo com a mesma pesquisa, alguns pais gostam de ver outros pais milennials cuidando dos seus filhos. “A maioria dos pais joga, consciente ou inconscientemente, com o custo-benefício de estar nas redes sociais", diz Sarita Schoenebeck, professora da Universidade de Michigan, que realizou um estudo sobre o uso do Facebook por parte de mães milennials. Entre as suas conclusões está o fato de que para a maioria das pessoas os benefícios de estar na mídia supera qualquer crítica no campo da educação dos filhos.
Para muitos pais milennials o modo de superar problemas sobre a sua tarefa como pais é precisamente as redes sociais: os seus amigos são os “especialistas” e as mães que não sabem o que fazer com os seus bebês se refugiam nos conselhos obtidos por meio dos grupos de Facebook ou WhatsApp. De acordo com TIME, isso acontece até com o 58% dos pais milennials. É evidente que não fazem o que o seus pais fizeram com eles: perguntar para verdadeiros especialistas.
Mas não é só nesse campo onde se nota a quebra da geração de pais milennials com as gerações anteriores: na maioria dos casos os milennials já não enviam os seus filhos para aulas de tênis, piano ou arte. A empresa Future Cast publicou em 2013 um informe sobre hábitos e atitudes de milennials: 61% deles disseram que os filhos precisam jogar de uma forma não estruturada. Isso, na prática, se reflete em algo tão simples como que as decisões sobre o que fazem ou não os filhos já não vêm dos pais, mas das pesquisas que os pais fazem aos seus filhos. TIME sugere que por trás disso é possível ter um forte individualismo e a ideia de competitividade como um dos valores mais altos sob o slogan "seja você mesmo".
É verdade que também os pais milennials reconhecem que é preciso fazer malabarismos para ter a atenção das crianças hoje. Mas pelo menos eles têm a intenção de testar, pois os milennials são de mente aberta e pessoas que procuram a empatia; tendem a ser excessivamente otimistas, acreditam no progresso e, acima de tudo, confiam no Google. De fato, junto com as redes sociais o seu principal conselheiro é o famoso motor de busca.
É, pois, evidente que as famílias digitais são famílias conectadas e comunicadas mas, a qualidade das relações e a facilidade das conexões não estão mudando o modo como as relações familiares são vividas e experimentadas? A resposta a esta pergunta, de não pouco valor, poderá vista com mais nitidez nos próximos anos. 

Jorge Enrique Mujica - Fonte Blog Instituto Santa Família

terça-feira, 17 de novembro de 2015

PV-SAV do regional Leste 2 realiza 36ª Assembleia Anual

A Pastoral Vocacional (PV) e o Serviço de Animação Vocacional (SAV) do regional Leste 2 realizaram a 36ª Assembleia Anual. O encontro, que foi eletivo, ocorreu em Belo Horizonte (MG), entre os dias 6 a 8 de novembro, com o tema "Metodologia e Planejamento da PV/SAV Paroquial" . 
Foram eleitos durante a Assembleia coordenadores de suas respectivas províncias os padres: Hélio de Oliveira Filho (Belo Horizonte); Gilmar (Diamantina); Rodrigo de Carvalho Silva (Juiz de Fora); Elinei Eustáquio Gomes (Mariana); George (Montes Claros) e Guilherme Stort (Uberaba). As províncias de Pouso Alegre e Vitória definirão seus representantes posteriormente.  
Em relação à coordenação geral da PV-SAV, o padre Eliseu Donisete de Paiva Gomes, da arquidiocese de Mariana, foi reconduzido ao cargo. 
O novo presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ministério Ordenados e a Vida Consagrada do regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Aristeu, esteve presente na Assembleia. 
PV/SAV Paroquial
A 36ª Assembleia Anual do regional Leste 2 foi assessorada pelo padre Geraldo Tadeu, do Centro Rogate do Brasil. O evento reuniu cerca de 70 pessoas de 25 arqui(dioceses) entre bispos, padres, religiosos, seminaristas e leigos. 
Ao abordar o tema, padre Geraldo Tadeu apontou os objetivos inegociáveis de uma equipe vocacional paroquial: despertar a cultura vocacional; cultivar e acompanhar todos(as) vocacionados(as); possibilitar clima de catequese vocacional permanente; integrar toda a comunidade, ressaltando-se as pastorais afins; conscientizar o povo sobre as vocações em uma Igreja toda ministerial; promover a oração pelas vocações; encaminhar os(as) vocacionados(as) à coordenação diocesana e aos institutos religiosos.
Disse, ainda, ser preciso construir uma nova proposta de evangelização, que adote uma metodologia partilhada, organização, planejamento e gestão eclesial. Para tanto, sugeriu os seguintes passos: análise da realidade; iluminação com reflexão teológico-pastoral; elaboração do diagnóstico; estabelecimento de prioridades e indicações para a ação; descrição do projeto; organização e estruturação e avaliação. 


sábado, 14 de novembro de 2015

Os carismas na Igreja

Os carismas, segundo os textos bíblicos, possuem algumas características que a Exortação Christifi deles Laici sintetizou da seguinte maneira: são dons e impulsos especiais que podem assumir as mais variadas formas, como expressão da liberdade absoluta do Espírito e como resposta às necessidades da Igreja; eles têm uma utilidade eclesial, quer sejam extraordinários ou simples; podem florescer também em nossos dias e podem gerar afinidade espiritual entre as pessoas; devem ser recebidos com gratidão como riqueza para a missão; ao serem reconhecidos, necessitam de discernimento que aprofunde suas motivações e potencialidades. E acrescenta: devem estar em comunhão com os pastores da Igreja (cf. ChL, n. 24).
Tudo isto significa que cada um deve auscultar-se a si mesmo e descobrir as aptidões doadas por Deus e como pode exercitá-las em benefício dos outros, pois elas são dons para servir. Há diversidade de carismas, alguns simples, humildes e estáveis, outros são mais raros e extraordinários, como poderia ser a fundação de grupos eclesiais e ordens religiosas. Com efeito, Paulo, em sua primeira carta à  comunidade de Corinto (12,4ss), faz um discernimento dando primazia aos carismas que fortalecem a fé da comunidade e que a ajudam a encarnar esta fé na vida concreta. Ressalta os que respondem às exigências mais humildes, ordinárias e estáveis. Alguns carismas são exercidos de forma pessoal ou no cotidiano das comunidades; outros possuem maior visibilidade. Mas sempre é necessário o discernimento destes dons de Deus pela comunidade.
Estudos da CNBB 107, nº 116-117

domingo, 8 de novembro de 2015

Carta de Deus para você

Meu filho... 
Você talvez não Me conheça, mas Eu sei tudo sobre você.
Eu sei quando se senta e quando se levanta.  
Eu conheço todos os seus caminhos. Sl 139,1-33
Cada um dos fios dos seus cabelos são contados por Mim Mt 10,29-31
Porque você foi criado à Minha imagem... Gn 1,27
Em Mim, você vive, anda e existe, pois, você é Minha continuidade. At 17,28
Eu já lhe conhecia mesmo antes de você ser concebido Jr 1,4-5
Porque Eu escolhi você quando planejava a criação...  Ef 1,11-12
Você não é um erro!
Porque todos os seus dias estão escritos em Meu livro. Sl 139,15-16
Eu determinei o momento exato do seu nascimento e onde viveria! At 17,26
Você foi feito de uma forma admirável e maravilhosa. Sl 139,14
Eu o criei e cuidei no ventre de sua mãe. Sl 139,13
E o tirei do ventre no dia em que você nasceu. Sl 71,6
Eu tenho sido mal representado por aqueles que não Me conhecem Jo 8,41-44
Mas não Estou ausente ou zangado pois, sou a expressão completa de Amor 1Jo 4,16
E é Meu desejo derramar todo o Meu amor em você 1Jo 3,1
simplesmente porque você é Meu filho e Eu Sou seu pai.
Eu ofereço a você mais do que seu pai terrestre poderia oferecer Mt 7,11
porque Eu Sou o Pai perfeito... Mt 5,48
Cada graça que você recebe vem de Minhas mãos, Tg 1,17
Pois, Eu sou seu provedor e supro todas as suas necessidades Mt 6,31-33
Meu plano para o seu futuro tem sido sempre cheio de esperança Jr 29,11
Porque Eu te amo com um amor eterno Jr 31,3
Meus pensamentos sobre você são incontáveis como a areia na praia Sl 139,17-18
E Eu me regozijo sobre você com cânticos Sf 3,17
Eu nunca vou parar de fazer o bem para você Jr 32,40
Porque você é Meu tesouro mais precioso Ex 19,5
Eu desejo te estabelecer com todo Meu coração e toda Minha alma Jr 32,41
E quero te mostrar coisas incríveis e maravilhosas Jr 33,3
Se você Me buscar com todo o seu coração, você Me encontrará. Dt 4,29
Se deleite em Mim e Eu darei a você os desejos do seu coração Sl 37,4
pois fui Eu quem colocou esses desejos em você Fl 2,13
Eu Sou capaz de fazer mais por você do que podes imaginar, Ef 3,20
pois, Eu Sou o seu maior encorajador 2Ts 2,16-17
Sou também o Pai que conforta você em todas as suas dificuldades 2Cor 1,3-4
Quando seu coração está partido Eu estou perto de você Sl 34,18
Como um pastor carrega um cordeiro
Eu carrego você perto do Meu coração. Is 40,11
Um dia Eu enxugarei todas as lagrimas dos seus olhos 
e afastarei de você toda a dor que tenha sofrido nesta terra... Ap 21,3-4
Eu Sou o seu Pai. Eu amo você assim como ao Meu Filho Jesus. Jo 17,23
Pois em Jesus, Meu amor por você é revelado Jo 17,26
Ele é a representação exata do que Sou Hb 1,3
Ele veio para demonstrar que Eu estou contigo, e não contra ti Rm 8,31
e também para dizer a você que Eu não estou contando os seus pecados 2Cor 5,18-19
Jesus morreu para que você e Eu pudéssemos nos reconciliar.
Sua morte foi a expressão suprema do Meu amor por você 1Jo 4,10
Eu desisti de tudo que amava para que pudesse ganhar o seu amor e, Rm 8,32
se você receber a Palavra do Meu Filho Jesus, você irá Me receber! 1Jo 2,23
E nada poderá separar você do Meu amor outra vez... Rm 8,38-39
Venha para casa e Eu vou fazer a maior festa que o céu já viu Lc 15,7
Eu sempre fui um Pai e sempre serei Pai... Ef 3,14-15
A Minha pergunta é: você quer ser meu filho? Jo 1,12-13
Eu estou esperando por você... Lc 15,11-32
Com amor,
Seu Pai... Sl 89,27


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Estamos no mês de Novembro, mês no qual somos chamados refletir sobre o nosso chamado a santidade.
Padre Alberione, cuja festa litúrgica celebraremos no dia 26 de novembro, falava que a vida é uma viajem rumo ao céu, rumo ao encontro com o Senhor da vida.
Como queremos fazer esta viajem? Que caminho estamos percorrendo?
Neste mês queremos partilhar com você um pouco do caminho de santidade que Jesus Mestre indicou para nós irmãs Apostolinas: o carisma, a espiritualidade, a missão que recebemos através do Bem Aventurado Tiago Alberione.
Que esta pequena semente possa despertar no coração das moças que Deus chama á mesma missão o desejo de dizer: Aqui estou Senhor para viver e percorrer este caminho de santidade.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cristão leigo: sujeito na Igreja e no mundo

O leigo, sujeito na Igreja e no mundo, é o cristão maduro na fé, que fez o encontro  pessoal com Jesus Cristo e se dispôs a segui-lo com todas as consequências dessa escolha; é o cristão que adere ao projeto do Mestre e busca identificar-se sempre mais com sua pessoa; é o cristão que se coloca na escuta do Espírito, que envia à edificação da comunidade e à transformação do mundo na direção do Reino de Deus. Tornar-se sujeito eclesial é um projeto de construção que supera todas as formas de infantilismo eclesial que possam manter cristãos dependentes de outrem na consciência de si mesmo e de sua missão.
A condição eclesial é dom e tarefa para todos os cristãos, o que implica, antes de tudo, a acolhida do dom na comunidade eclesial feita de comunhão e diversidade, de individualidades e de vida comum, de liberdades e de compromissos. A tarefa da construção de autênticos sujeitos eclesiais se impõe igualmente para todos os membros: como crescimento mútuo no respeito às diferenças e às regras comuns; como busca das condições para o exercício da autonomia na edificação da Igreja; como discernimento dos dons que cada um oferece para o serviço à comunidade e como crescimento  espiritual, psicológico e intelectual de cada sujeito no que se refere ao aprofundamento permanente da compreensão da fé e da realidade.
Estudos da CNBB 107, n. 49-50

sábado, 31 de outubro de 2015

13 fatos fascinantes da vida de São João Paulo II

1. Aos 15 anos quase morreu por um disparo acidental
Um amigo lhe mostrou uma arma, a qual acreditava estar descarregada. Foi quando durante uma brincadeira este amigo apertou o gatilho e disparou bem perto de Karol. Felizmente (ou milagrosamente), a bala não o tocou.

2. Teve uma "namorada" judia durante sua juventude
Seu nome era Ginka Beer, era "uma bela judia, com lindos olhos e cabelos, magra, uma excelente atriz". Embora não possamos descrever com precisão o vínculo entre Karol Wojtyla e Ginka, ela foi primeira e possivelmente a única com quem ele teve um relacionamento.

3. Foi ator e dramaturgo
Era membro de um grupo de teatro e pretendia trabalhar como ator, antes de descobrir sua vocação ao sacerdócio.

4. Aos 21 anos de idade já tinha perdido todos seus familiares diretos
Sua mãe morreu quando ele tinha 8 anos devido algumas complicações durante um parto, seus três irmãos morreram durante sua infância e seu pai morreu de um ataque cardíaco, quando ele tinha 21 anos.

5. Foi atropelado por um caminhão nazista durante a Segunda Guerra Mundial
Em fevereiro de 1944, enquanto voltava do trabalho para sua casa, foi atropelado por um caminhão alemão. Os oficiais alemães se pararam e, ao ver que estava inconsciente e gravemente ferido, detiveram um automóvel para usá-lo como ambulância e levá-lo ao hospital. Ficou internado durante duas semanas. A terrível experiência e sua surpreendente recuperação confirmaram sua vocação ao sacerdócio.

6. Foi detido por soldados nazistas e fugiu escondendo-se atrás de uma porta
Em agosto de 1944, durante um levantamento polonês, soldados nazistas invadiram a sua cidade a fim de prender todos os homens jovens. Ao entrar em sua casa, escondeu-se atrás de uma porta. Os soldados entraram na sua casa, mas não o encontraram e foram embora. Logo se escondeu na casa do seu Arcebispo, onde permaneceu até o final da guerra.

7. Assistiu ao Concílio Vaticano II como Bispo e ajudou a escrever vários documentos
Colaborou na redação do texto final do Dignitatis humanae, o Decreto sobre a liberdade religiosa, e Gaudium et spes, a Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual.

8. Foi o primeiro Papa não italiano desde o século XVI
João Paulo II era polonês e não tivemos um Papa italiano a partir dele: Bento XVI é alemão e Francisco é argentino.

9. Como Papa falava 9 idiomas com facilidade
Sabia polonês, latim, grego antigo, italiano, francês, alemão, inglês, espanhol e português. Durante sua juventude, esteve familiarizado com 12 idiomas.

10. Visitou 129 países durante seu pontificado
Isto o converteu em um dos líderes mundiais que mais viajou na história mundial, portanto ganhou o apelido de "Papa Peregrino".

11. Beatificou e canonizou mais pessoas que o resto dos Papas que o antecederam... juntos
Beatificou 1.340 pessoas e canonizou 483 pessoas. Esta cifra supera todos os beatos e Santos canonizados por todos os Papas anteriores a ele em toda a história da Igreja.

12. Foi herói de um gibi de Marvel na década de 80
Assim como ele, a Beata Madre Teresa de Calcutá e São Francisco de Assis também protagonizaram livros de histórias em quadrinho.

13. É o quarto Papa com o título de "o Grande"
Embora o título não seja de maneira oficial e é apenas pelo uso popular, somente outros três papas na história mereceram tal honra: São Leão Magno (440 até 461), São Gregório Magno (590-604), e São Nicolás Magno (858-867).


quinta-feira, 29 de outubro de 2015


Um banda formada por Religiosas.... 
Também as irmãs cantam muito!!!!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Jovem, linda e talentosa deixa tudo e vai para mosteiro

Depois de alguns anos de discernimento, a jovem professora Stéphanie, de 26 anos, tomou a decisão de sua vida: oferecer toda a sua existência a Deus, entrando no convento. O site Aleteia conversous com ela alguns dias antes do seu ingresso na comunidade beneditina da Abadia de Nossa Senhora de Pesquié, em Ariège, na França.

Aleteia: Quando você descobriu a fé?
Stéphanie: Eu nunca cheguei a “perder a fé”. Após o falecimento da minha irmã, a minha fé que andava meio dormente se reacendeu. Eu comecei profundamente a crer e a desejar progredir espiritualmente na minha vida. Eu perdi uma irmã em 2005, quando ela ia para a Jornada Mundial da Juventude em Colônia. Esse acontecimento, sem dúvida, foi crucial no meu discernimento. A morte dela foi um verdadeiro ponto de virada na minha vida espiritual. Eu me dei conta da importância da nossa vida; que nós estamos na Terra por um tempo limitado, que nós viemos de Deus e gostaríamos de voltar para Ele um dia. Eu venho de uma família católica muito religiosa, mas acho que, até agora, eu ia à igreja mais por rotina e mimetismo.

Aleteia: Quando começou a brotar a ideia de entrar no convento?
Stéphanie: Uns anos depois, em 2008, depois de uma peregrinação, eu senti uma atração de Deus durante a missa e um forte desejo de amá-lo. A partir daquele momento, eu vivi com sede de Absoluto! A ideia de dedicar a minha vida a Ele e entrar para um convento ficou mais premente. Eu senti um verdadeiro amor de Deus, como se eu me apaixonasse por Ele. Eu precisava ir à missa todos os dias, precisava passar o tempo junto com Ele. Esse grande desejo durou apenas alguns meses. Os anos passaram: eu tinha deixado esse assunto de lado, embora ele voltasse de tempos em tempos. Comecei a trabalhar como professora e fui levando a minha vidinha parisiense. Estava feliz, mas não completa. Com o tempo, o desejo de colocar Deus no centro da minha vida foi crescendo. Comecei a fazer oração todas as manhãs e orar a Deus para me ajudar a orientar a minha vida. Então fui fazer um retiro, e o meu diretor espiritual me perguntou por que eu não oferecia a minha vida a Deus. A ideia nunca tinha me abandonado de todo, e, depois disso, virou uma evidência… Mas essa evidência era vertiginosa! Eu sentia sede de Deus, mas a decisão foi difícil diante de uma escolha tão radical.

Aleteia: Quem foi a primeira pessoa que soube da sua decisão?
Stéphanie: Eu fui informar primeiro a diretora da escola, antes mesmo da minha família ou do meu diretor espiritual! Ela ficou de queixo caído. Os meus pais receberam a notícia com alegria e com emoção, mesmo sabendo que nós vamos nos ver menos de agora em diante. Mas eu admiro a coragem e a fé deles. Mamãe me disse que sempre tinha visto os filhos como um presente de Deus e que, no fim das contas, os filhos pertencem a Ele.

Aleteia: Algum santo inspirou você neste percurso?
Stéphanie: Santa Teresa me ajudou a viver o momento presente. Com ela, eu tomei consciência da minha pequenez diante do amor de Deus… São Bento também me guiou desde que tomei a decisão no dia da festa dele. A oração de abandono do beato Charles de Foucauld me agrada de modo especial e eu procuro rezá-la todos os dias.

Aleteia: O que você pensa sobre esta vida que está prestes a ficar para trás: a diversão, o cotidiano, os namoros… Não vai sentir falta?
Stéphanie: Não. E, sendo sincera, isso me parecia um pouco superficial. Não é nisso que você encontra a felicidade; é nos relacionamentos profundos. A minha fé me leva a não viver superficialmente, porque não é nisso que Deus está. Já os momentos com a minha família e com os meus amigos vão me fazer falta e eu estou consciente de estar renunciando a muitas coisas, mas sei que o essencial eu vou encontrar lá, na abadia. É verdade que, aos olhos dos homens, talvez seja loucura abandonar a vida em sociedade, mas não é uma loucura aos olhos de Deus.

Aleteia: O que as religiosas oferecem à sociedade, na sua opinião?
Stéphanie: As freiras se apartam do mundo e, ao mesmo tempo, estão muito presentes nele. Elas se mantêm a par da atualidade e não perdem uma oportunidade de orar por toda a humanidade. As orações deles são importantes. Elas são verdadeiras sentinelas do Invisível: ninguém as vê, e, ainda assim, elas são essenciais para a sociedade. Nós vivemos num mundo individualista, sem pontos de referência, que precisa mais do que nunca da presença espiritual e da oração dos religiosos.

Fonte: aleteia.org

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

“Nunca tivemos uma geração tão triste”

Augusto Cury, o famoso psiquiatra que tem livros publicados em mais de 70 países e dá palestras para multidões no Brasil e lá fora, lançou recentemente uma versão para crianças e adolescentes do seu best-seller Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século. O autor conversou com a gente sobre os desafios de se criar os filhos hoje e não poupou críticas à maneira como a família e a escola têm educado os pequenos. Confira!
Excesso de estímulos
"Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam  gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema 'bateu, levou', e a desenvolver altruísmo e generosidade."
Geração triste
"Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais."
Dor compartilhada
"É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: 'Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei'. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações."
Intimidade
"Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais."
Mais brincadeira, menos informação
"Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo."
Parabéns!
"Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis."
Conselho final para os pais

"Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?"

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A espiritualidade dos cristãos leigos e leigas

A oração e a contemplação são muito importantes. É preciso cultivar um espaço interior  dinamizado por um espírito contemplativo que dê sentido cristão ao compromisso e às atividades. Aí, é possível um encontro significativo  com o Deus de Jesus Cristo, que nos permite descobrir que “somos depositários de um bem que humaniza” (EG, n. 264), que nos ajuda a viver uma vida nova e, portanto, a buscar esta vida nova para todos.
O verdadeiro trabalhador da vinha nunca deixa de ser discípulo. Ele sabe que Jesus caminha, fala, respira e trabalha com ele. Experimenta a importância de caminhar com Jesus, e está convencido de que constrói o novo mundo à luz do Evangelho. A experiência do encontro pessoal com Jesus, sempre renovada, é a única capaz de sustentar a missão. Por isso, ele deve dedicar tempo à oração sincera, que leva a saborear a amizade e a mensagem de Jesus (cf. EG, n. 266).
O encontro com Jesus Cristo leva a uma espiritualidade integral que contempla a conversão pessoal, o discipulado, a experiência comunitária, a formação bíblico-teológica e o compromisso missionário (cf. DAp, n. 226; 278). Neste encontro com Jesus Cristo vivo, descobre-se e vivencia-se o mistério trinitário. “Deus é amor” (1Jo 4,16), e o Amor, segundo a tradição cristã, não se contenta consigo mesmo; por isso,
envia o Filho, no Espírito Santo, em missão para anunciar uma Boa-Nova a toda humanidade. A natureza missionária  da Igreja (cf. AG, n. 2; 6) é fruto dessa vida trinitária revelada aos discípulos, os quais participam da missão de Deus no mundo: conduzidos pelo Espírito Santo, são seguidores de Jesus Cristo e testemunhas de sua ressurreição.
O amor que se mostra na imagem comunitária da Santíssima Trindade, desde toda a eternidade, desdobra-se na missão histórico-salvífica de Deus, da qual a Igreja, formada
por discípulos missionários, participa como sacramento. A missão da Igreja é motivada pela reintegração da humanidade em uma vida plena de amor. O amor de Deus busca
a face da criatura, desfigurada nesse mundo pelo pecado, em vista de outro mundo possível. “O Senhor ensina que haverá uma nova morada para o homem, onde habitará
a justiça e cuja felicidade preencherá e superará todos os desejos de paz que o coração humano alimenta” (GS, n. 39).

Estudos da CNBB 107. n.75-78

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Abraão nosso pai na Fé

A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes, com os primeiros testemunhos já no Antigo Testamento. Um posto singular ocupa Abraão, nosso pai na fé. Na sua vida, acontece um fato impressionante: Deus dirige-lhe a Palavra, revela-Se como um Deus que fala e o chama por nome. A fé está ligada à escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Deste modo, a fé assume um caráter pessoal: o Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, capaz de entrar em contacto com o homem e estabelecer com ele uma aliança. A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome.
Esta Palavra comunica a Abraão uma chamada e uma promessa. Contém, antes de tudo, uma chamada a sair da própria terra, convite a abrir-se a uma vida nova, início de um êxodo que o encaminha para um futuro inesperado. A perspectiva, que a fé vai proporcionar a Abraão, estará sempre ligada com este passo em frente que ele deve realizar: a fé « vê » na medida em que caminha, em que entra no espaço aberto pela Palavra de Deus. Mas tal Palavra contém ainda uma promessa: a tua descendência será numerosa, serás pai de um grande povo (cf. Gn 13, 16; 15, 5; 22, 17). É verdade que a fé de Abraão, enquanto resposta a uma Palavra que a precede, será sempre um ato de memória; contudo esta memória não o fixa no passado, porque, sendo memória de uma promessa, se torna capaz de abrir ao futuro, de iluminar os passos ao longo do caminho. Assim se vê como a fé, enquanto memória do futuro, está intimamente ligada com a esperança.
A Abraão pede-se para se confiar a esta Palavra. A fé compreende que a palavra — uma realidade aparentemente efêmera e passageira —, quando é pronunciada pelo Deus fiel, torna-se no que de mais seguro e inabalável possa haver, possibilitando a continuidade do nosso caminho no tempo. A fé acolhe esta Palavra como rocha segura, sobre a qual se pode construir com alicerces firmes. 
[...] Há ainda um aspecto da história de Abraão que é importante para se compreender a sua fé. A Palavra de Deus, embora traga consigo novidade e surpresa, não é de forma alguma alheia à experiência do Patriarca. Na voz que se lhe dirige, Abraão reconhece um apelo profundo, desde sempre inscrito no mais íntimo do seu ser. Deus associa a sua promessa com aquele «ponto» onde desde sempre a existência do homem se mostra promissora, ou seja, a paternidade, a geração duma nova vida: «Sara, tua mulher, dar-te-á um filho, a quem hás de chamar Isaac» (Gn 17, 19). O mesmo Deus que pede a Abraão para se confiar totalmente a Ele, revela-Se como a fonte donde provém toda a vida. Desta forma, a fé une-se com a Paternidade de Deus, da qual brota a criação: o Deus que chama Abraão é o Deus criador, aquele que «chama à existência o que não existe » (Rm 4, 17), aquele que, «antes da fundação do mundo, (...) nos predestinou para sermos adoptados como seus filhos» (Ef 1, 4-5). No caso de Abraão, a fé em Deus ilumina as raízes mais profundas do seu ser: permite-lhe reconhecer a fonte de bondade que está na origem de todas as coisas, e confirmar que a sua vida não deriva do nada nem do acaso, mas de uma chamada e um amor pessoais. O Deus misterioso que o chamou não é um Deus estranho, mas a origem de tudo e que tudo sustenta. A grande prova da fé de Abraão, o sacrifício do filho Isaac, manifestará até que ponto este amor originador é capaz de garantir a vida mesmo para além da morte. A Palavra que foi capaz de suscitar um filho no seu corpo «já sem vida (…), como sem vida estava o seio» de Sara estéril (Rm 4, 19), também será capaz de garantir a promessa de um futuro para além de qualquer ameaça ou perigo (cf. Heb 11, 19; Rm 4, 21).
Carta Enciclica Lumen Fidei, n.8-11.