sábado, 28 de março de 2015

51 jovens mártires de Barbastro

Em 20 de Julho de 1936, num período de fortes tensões políticas na Espanha, anarquistas armados se puseram às portas do seminário dos Missionários do Coração de Maria (Claretianos) em Barbastro. Queriam revistar a casa para ver se tinham armas. Durante a revista, toda a comunidade desceu para o pátio interior onde se podia jogar futebol e caminhar. Eram 60 religiosos, dos quais 39 estavam acabando seus estudos teológicos, dois eram argentinos que salvaram suas vidas por serem estrangeiros, nove sacerdotes e doze irmãos missionários. Só faltavam dois: um seminarista que estava de cama com febre alta e um irmão idoso de 84 anos que estava impossibilitado de descer as escadas. A casa foi revistada várias vezes, dos telhados à igreja e até a caixa de um velho relógio de parede. Mas aquela comunidade era pacífica, estudiosa, austera, pobre e de um idealismo cristão a toda prova. Os anarquistas estavam desconcertados e perguntavam onde estavam as armas? “Aqui não há armas”, respondeu o superior da casa, pois eram uma comunidade religiosa e missionária. Prenderam a todos em uma sala e tentaram fazer abdicar de sua fé e vocação. Ao verem que não conseguiam vergar aqueles valentes cristãos, disseram claramente qual seria a causa da sua morte: "Não vos odiamos a título pessoal, mas sim à vossa religião, a vossa batina, esse trapo repugnante. Se as tirarem, pouparemos vossas vidas. Mas a matar-vos, será com ela vestida, e assim sereis com a batina enterrados". Assim souberam eles porque os perseguiam. Morreriam mártires por Jesus Cristo, e nada mais que por Jesus Cristo.
No dia 12 de agosto, logo após as execuções dos Claretianos de mais idade, apresenta-se no salão cárcere um dos membros do comitê anarquista, com vários pistoleiros, para fazer a lista negra, por ordem de idade, dos nomes dos jovens que seriam assassinados. Era o catálogo dos mártires através do qual iriam ser chamados, noite após noite, para a sangrenta chacina. Começaram a preparar-se, fervorosamente, para a morte. Confessavam-se e pediam perdão, mutuamente, por suas faltas. Beijavam os pés uns dos outros e abraçavam-se com profundo afeto. Todos fizeram constar por escrito que perdoavam seus verdugos e se comprometeram a rogar por eles e pelas causas sociais da Espanha. Um destes jovens, chamado Faustino Perez, escreveu: “Passamos o dia em religioso silêncio e preparando-nos para morrer amanhã. Somente o murmurar santo das orações é sentido na sala, testemunho de nossas duras angústias. Se falamos é para animar-nos a morrer como mártires; se rezamos é para perdoar e pedir por eles. Salvai-os, Senhor, pois não sabem o que fazem!”.
Em papeis que embrulhavam os chocolates que lhes ofereceram para o pequeno-almoço, cada um escreveu um lema, uma frase que resumia o seu ideal de vida, e de seu martírio. Quarenta assinaturas que escrevem uma das páginas da Igreja Católica do século XX: "Viva Cristo-Rei!"; "Viva o Coração Imaculado de Maria!"; "Morro contente por Deus!... Nunca imaginei ser digno de receber esta Graça!"; Por Ti, Meu Deus, pela Santíssima Virgem meu sangue dou!".
Às 24h00 do dia 13, irrompiam os milicianos no salão cárcere. Leram 20 nomes, em que cada um era vigorosamente respondido com um "Presente!". Alguns beijavam com amor as cordas que lhes atavam as mãos, e todos dirigiam palavras de perdão aos seus verdugos. Atravessaram a praça cheia de gente. E ao subirem em uma caminhonete gritavam entusiasticamente: "Viva Cristo-Rei!", e os presentes respondiam: "Morram, morram! Canalhas, vão ver o que vos espera no cemitério!".  Era uma cena impressionante, pois ao longo da noturna viagem de 3 quilometros em cima da caminhonete, cantavam e rezavam alegres! Diz o relato de uma testemunha dessa noite: "Todo Barbastro os ouviu! Todos cantavam cânticos religiosos. E eram inocentes como anjos!".
Recusada a última oferta de liberdade em troca da apostasia, morreram com o nome de Jesus nos lábios, como confessou um dos assassinos: "Com os braços abertos, em cruz, e gritando Viva Cristo-Rei, receberam a descarga dos projeteis".
A meia-noite do dia 15, os vinte mártires restantes iam para o Céu, celebrar a grande festa da Assunção. Animados pelo exemplo dos seus colegas anteriores, deixaram escrito: "Morremos todos contentes, e nenhum de nós sente desânimo ou pesar".

Em outubro de 1992 houve a cerimônia de beatificação dos 51 mártires de Barbastro pelo papa João Paulo II. No final da Missa, o papa emocionado, exclamou: "Pela primeira vez na História da Igreja, todo um Seminário é Mártir!".

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