quarta-feira, 13 de maio de 2015
segunda-feira, 11 de maio de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
52º Dia Mundial de Oração pelas Vocações - 2015
(26 de Abril de
2015 - IV Domingo de Páscoa)
Amados irmãos e irmãs!
O IV Domingo de Páscoa apresenta-nos o ícone do Bom Pastor,
que conhece as suas ovelhas, chama-as, alimenta-as e condu-las. Há mais de 50
anos que, neste domingo, vivemos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Este
dia sempre nos lembra a importância de rezar para que o «dono da messe – como
disse Jesus aos seus discípulos – mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2). Jesus dá esta ordem no
contexto dum envio missionário: além dos doze apóstolos, Ele chamou mais
setenta e dois discípulos, enviando-os em missão dois a dois (cf. Lc 10,1-16). Com efeito, se a Igreja «é,
por sua natureza, missionária» (Conc. Ecum. Vat. II., Decr. Ad gentes, 2), a vocação cristã só pode
nascer dentro duma experiência de missão. Assim, ouvir e seguir a voz de Cristo
Bom Pastor, deixando-se atrair e conduzir por Ele e consagrando-Lhe a própria
vida, significa permitir que o Espírito Santo nos introduza neste dinamismo
missionário, suscitando em nós o desejo e a coragem jubilosa de oferecer a
nossa vida e gastá-la pela causa do Reino de Deus.
A oferta da própria vida nesta atitude missionária só é
possível se formos capazes de sair de nós mesmos. Por isso, neste 52º Dia
Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de reflectir precisamente sobre um
«êxodo» muito particular que é a vocação ou, melhor, a nossa resposta à vocação
que Deus nos dá. Quando ouvimos a palavra «êxodo», ao nosso pensamento acodem
imediatamente os inícios da maravilhosa história de amor entre Deus e o povo
dos seus filhos, uma história que passa através dos dias dramáticos da
escravidão no Egipto, a vocação de Moisés, a libertação e o caminho para a
Terra Prometida. O segundo livro da Bíblia – o Êxodo – que narra esta história
constitui uma parábola de toda a história da salvação e também da dinâmica
fundamental da fé cristã. Na verdade, passar da escravidão do homem velho à
vida nova em Cristo é a obra redentora que se realiza em nós por meio da fé (Ef 4, 22-24). Esta passagem é um real e
verdadeiro «êxodo», é o caminho da alma cristã e da Igreja inteira, a
orientação decisiva da existência para o Pai.
Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento
fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da
comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo;
abandonar como Abraão a própria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo
que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta «saída» não deve ser
entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria
humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo
encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do
seu Reino. Como diz Jesus, «todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs,
pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e
terá por herança a vida eterna» (Mt 19,
29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De facto, a vocação cristã
é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si
mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um «êxodo permanente do eu fechado em si
mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o
reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus» (Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est, 6).
A experiência do êxodo é paradigma da vida cristã,
particularmente de quem abraça uma vocação de especial dedicação ao serviço do
Evangelho. Consiste numa atitude sempre renovada de conversão e transformação,
em permanecer sempre em caminho, em passar da morte à vida, como celebramos em
toda a liturgia: é o dinamismo pascal. Fundamentalmente, desde a chamada de
Abraão até à de Moisés, desde o caminho de Israel peregrino no deserto até à
conversão pregada pelos profetas, até à viagem missionária de Jesus que culmina
na sua morte e ressurreição, a vocação é sempre aquela acção de Deus que nos
faz sair da nossa situação inicial, nos liberta de todas as formas de
escravidão, nos arranca da rotina e da indiferença e nos projecta para a
alegria da comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso, responder à chamada de
Deus é deixar que Ele nos faça sair da nossa falsa estabilidade para nos pormos
a caminho rumo a Jesus Cristo, meta primeira e última da nossa vida e da nossa
felicidade.
Esta dinâmica do êxodo diz respeito não só à pessoa
chamada, mas também à actividade missionária e evangelizadora da Igreja
inteira. Esta é verdadeiramente fiel ao seu Mestre na medida em que é uma
Igreja «em saída», não preocupada consigo mesma, com as suas próprias
estruturas e conquistas, mas sim capaz de ir, de se mover, de encontrar os
filhos de Deus na sua situação real e compadecer-se das suas feridas. Deus sai
de Si mesmo numa dinâmica trinitária de amor, dá-Se conta da miséria do seu
povo e intervém para o libertar (Ex 3,
7). A este modo de ser e de agir, é chamada também a Igreja: a Igreja que
evangeliza sai ao encontro do homem, anuncia a palavra libertadora do
Evangelho, cuida as feridas das almas e dos corpos com a graça de Deus, levanta
os pobres e os necessitados.
Amados irmãos e irmãs, este êxodo libertador rumo a Cristo
e aos irmãos constitui também o caminho para a plena compreensão do homem e
para o crescimento humano e social na história. Ouvir e receber a chamada do
Senhor não é uma questão privada e intimista que se possa confundir com a
emoção do momento; é um compromisso concreto, real e total que abraça a nossa
existência e a põe ao serviço da construção do Reino de Deus na terra. Por
isso, a vocação cristã, radicada na contemplação do coração do Pai, impele
simultaneamente para o compromisso solidário a favor da libertação dos irmãos,
sobretudo dos mais pobres. O discípulo de Jesus tem o coração aberto ao seu
horizonte sem fim, e a sua intimidade com o Senhor nunca é uma fuga da vida e
do mundo, mas, pelo contrário, «reveste essencialmente a forma de comunhão
missionária» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 23).
Esta dinâmica de êxodo rumo a Deus e ao homem enche a vida
de alegria e significado. Gostaria de o dizer sobretudo aos mais jovens que,
inclusive pela sua idade e a visão do futuro que se abre diante dos seus olhos,
sabem ser disponíveis e generosos. Às vezes, as incógnitas e preocupações pelo
futuro e a incerteza que afecta o dia-a-dia encerram o risco de paralisar estes
seus impulsos, refrear os seus sonhos, a ponto de pensar que não vale a pena
comprometer-se e que o Deus da fé cristã limita a sua liberdade. Ao invés,
queridos jovens, não haja em vós o medo de sair de vós mesmos e de vos pôr a
caminho! O Evangelho é a Palavra que liberta, transforma e torna mais bela a
nossa vida. Como é bom deixar-se surpreender pela chamada de Deus, acolher a
sua Palavra, pôr os passos da vossa vida nas pegadas de Jesus, na adoração do
mistério divino e na generosa dedicação aos outros! A vossa vida tornar-se-á
cada dia mais rica e feliz.
A Virgem Maria, modelo de toda a vocação, não teve medo de
pronunciar o seu «fiat» à chamada do Senhor. Ela acompanha-nos e
guia-nos. Com a generosa coragem da fé, Maria cantou a alegria de sair de Si
mesma e confiar a Deus os seus planos de vida. A Ela nos dirigimos pedindo para
estarmos plenamente disponíveis ao desígnio que Deus tem para cada um de nós;
para crescer em nós o desejo de sair e caminhar, com solicitude, ao encontro
dos outros (cf. Lc 1, 39). A Virgem Mãe nos proteja e
interceda por todos nós.
Vaticano, 29 de Março – Domingo de Ramos – de 2015.
Franciscus PP.
terça-feira, 7 de abril de 2015
sábado, 4 de abril de 2015
sexta-feira, 3 de abril de 2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Apaixonados por Jesus e pelo Reino
O seguimento de Jesus Cristo é uma aventura apaixonante.
Quando ele nos encontra no caminho, provoca uma reviravolta em nossa
existência. Seu olhar amoroso nos cativa e seduz. Seu jeito de ser e agir nos
faz sair da apatia e nos impulsiona a ações concretas. Sua firmeza, ternura e
paixão pela vida e por Deus tocam o nosso coração e nos fascinam.
O coração jovem é terreno fértil para o cultivo da paixão
por Jesus Cristo e por sua causa. É certo, também, que, no desejo de firma uma
relação de amor com Jesus, nem sempre o fazemos de forma saudável. Ou nos
relacionamos com Jesus de forma distante e comercial, ou cultivamos uma relação
meio desconectada com a vida.
Se aprendemos a ver Jesus como alguém que resolve nossas
crises e lida com nossos problemas pessoais, estabelecemos uma relação
comercial com ele, ou seja, de barganha. Por exemplo: "Jesus, se você me
conceder isso, eu faço aquilo". Outras pessoas cultivam uma relação com
Jesus muito "doce", desconectada da realidade, como se ele fosse um
calmante para certos momentos. Certa vez, falando a um grupo de educadores, uma
pessoa disse: "Depois que encontrei Jesus, eu não tive mais
problemas". Em tom de brincadeira, eu respondi: "Engraçado, depois
que eu encontrei Jesus, tive mais problemas!". Sim, porque seguir Jesus é
um projeto ousado, que pode custar a vida. Quem escolhe segui-lo de coração
sincero, vai encontrar perseguição, rejeição e muitos desafios. Quem o segue
deve estar disposto a lutar pela causa dos empobrecidos, pela justiça e pela
fraternidade. Certamente, estar com ele e de coração aberto provoca em nós
muita alegria.
É muito comum em nossos dias a presença de grupos e
movimentos que tentam fazer de Jesus uma figura pop. Então aparecem músicas,
ritmos, movimentos e orações que buscam tornar Jesus tão popular que nos levam
a perder algumas dimensões de sua pessoa e de sua mensagem. É claro que
Jesus é popular. Mas uma relação com ele, baseada apenas no sentimentalismo,
pode empobrecer a experiência, desconectar-se da vida e não ter efeito duradouro.
É como bolha de sabão.
Cultivar uma paixão por Jesus é estar em sintonia com seu
coração. É gostar de sua pessoa e deixar-se atrair por seus ensinamentos.
Consiste em mergulhar na contemplação do seu jeito especial de lidar com as
pessoas e com o Pai. É ser capaz de experimentar o perdão e a misericórdia; é
fazer de cada pessoa um santuário da vida e de Deus. É cultivar relações saídas;
comprometer-se com a causa da justiça, da verdade e Ada paz. É praticar a
solidariedade, sobretudo com os empobrecidos. É cuidar do planeta e da vida. É
buscar andar na luz e preferir a luz em vez da escuridão. Apaixonar-se por
Jesus é deixar que ele modele o coração, é desejar ficar com ele, a fim de ser
formado por ele. Deixar, pouco a pouco, a vida e as atitudes serem pautadas
pelo seu jeito de ser e agir.
Na prática, isso faz muita diferença. Jesus se torna para
nós inspiração, guia e luz a orientar nossos passos e projeto. Não é uma
solução fácil das nossas necessidades, mas um modelo de vida, um chamado
incessante, um compromisso a assumir. Ele se faz realmente caminho, verdade e
vida. Desta maneira, Jesus acaba se tornando a razão de ser de nossa
existência.
Se você tem intenção de segui-lo mais de perto na sua
comunidade, na família, na vida religiosa ou sacerdotal, lembre-se de que
haverá muitos momentos de alegria e profundo contentamento. Jesus preenche o
coração e dá sentido à vida. Mas é bom saber que também haverá momentos de
dúvida, de incertezas e de luta interior. Isso tudo faz parte da caminhada.
Quem se apaixona por Jesus deve se apaixonar pelo Evangelho
e se tornar portador da boa noticia num mundo que valoriza os acontecimentos
trágicos e negativos. Nosso povo anseia p
E a paixão pelo Reino de Deus? Quem se apaixona pelo Reino dá a vida por ele. O Reino é
uma situação na qual todos podem desfrutar a vida em plenitude, mesmo em meio
às lutas e aos sacrifícios do dia-a-dia. O Reino acontece misturado com as
experiências cotidianas, de forma simples, escondida, mas transformadora. Não é
algo que temos de esperar de braços cruzados. É uma construção da comunidade,
dos grupos, da sociedade. Não é obra só nossa. Precisamos contar com a graça de
Deus e a força de Jesus.
Em cada pequeno gesto de perdão, acolhida, partilha,
sinceridade, fidelidade e transparência, experimentamos o Reino. Apesar disso,
não se esgota nem termina aí. O Reino de Deus é dinâmico, pois, enquanto
acontece, vai se construindo.
O Reino acontece perto de você, no seu coração, no seu bairro,
na sua casa, no trabalho, na vida. Ser apaixonado pelo Reino é acreditar numa
sociedade em que todos tenham direito aos recursos necessários para viver, e
viver com dignidade. O Reino é como o
fermento (cf Mt 13,33); como o grão de mostarda (cf Mt 13,31-32); como a
semeadura da semente (cf Mt 13,1-23); como o terreno com o joio e o trigo (cf
Mt 13,24-30) 36-43); como o tesouro e a pérola (cf Mt 13,44-46); como a rede lançada
ao mar (cf Mt 13,47-50).
Para conhecermos bem Jesus e sua proposta e desenvolvermos
a paixão por ele, pelo Evangelho e pelo Reino, podemos nos servir de algumas
fontes importantes, como a Palavra de Deus, os acontecimentos e as coisas do
cotidiano, o mundo dos pobres e a oração.
Autor: Vanderlei Soela
Extraído do livro: Cativados pelo amor –
Editora Paulus
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