terça-feira, 13 de julho de 2010

O ESTRADO PARA TEUS PÉS

"Aqui é o estrado para os teus pés,
que repousam aqui, onde vivem os mais pobres,
mais humildes e perdidos.
Quando tento inclinar-me diante de ti,
a minha reverência não consegue alcançar
a profundidade onde os teus pés repousam,
entre os mais pobres, mais humildes e perdidos.
O orgulho nunca pode se aproximar desse lugar
onde caminhas com as roupas do miserável,
entre os mais pobres, mais humildes e perdidos.
O meu coração jamias pode encontrar o caminho
onde fazes companhia ao que não tem companheiro,
entre os mais pobres, mais humildes e perdidos"
R. Tagore

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Somente falava de Deus

Conta-se que, no sul da China, um nativo foi convidado a assistir a uma séria de conferências religiosas. Era um homem simples, naturalmente, mas curioso e observador. Compareceu logo na primeira noite e gostou imensamente.
Os pensamentos do orador, embora estranhos para ele, não deixavam de ser interessantes. voltou na noite seguinte e, ao término da segunda conferência, pensou consigo mesmo: o orador falou hoje quase a mesma coisa que disse ontem.
Contudo, nem por isso deixou de assistir nas três noites restantes. Na última noite, continuou no recinto até as pessoas se afastarem totalmente. Assim, a sós com o pregador, arriscou a seguinte observação:
- Afinal, pregador, por que motivo o senhor não fala de outras coisas igualmente interessantes e até mais abrangentes? Assisti a todas as suas conferências, e o assunto foi sempre o mesmo: Deus. Não há nenhum outro nome que possa ser mencionado?
O orador, maduro e muito experiente, sobretudo muitíssimo hábil, encontrou de imediato uma extraordinária saída. Perguntou-lhe:
- Desculpe a minha curiosidade: O que é que o amigo come no almoço?
- Como arroz, principalmente
- E no jantar, qual o seu prato predileto?
- Ainda arroz
- O senhor costuma cear à noite, antes de dormir?
- Sim, fazemos isso todas as noites em minha casa
- E na ceia, o que a família costuma comer?
- Também arroz. Uma refeição só será completa para mim se houver arroz
- E ontem o senhor comeu arroz nas três refeições que fez?
- Sim, eu, particularmente, só como arroz. Entendo que esse cereal me dá vida, força e saúde.
Depois desse diálogo, aparentemente sem importância, o pregador, em poucas palavras, prestou o mais profundo esclarecimento que o nativo carecia ouvir, para entender que o nome de Deus é o mais abrangente.
- Pois essa é justamente a razão de eu só falar em Deus. Ele é meu amigo. Ele me enche a vida e a alma. É capaz de preencher qualquer necessidade que eventualmente eu possa ter. Por causa desse tão maravilhoso relacionamente entre mim e Deus, e em virtude das muitas bençãos que dele recebo, é que a minha boca não sabe falar de outra coisa.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Fica conosco Senhor!


A palavra “ficar” hoje tem muitos significados, às vezes, até de forma banalizada. Mas, é preciso descobrir que seu significado tem um sentido bem mais amplo do que aquilo que pensamos ou dizemos. “Ficar conosco” é um convite que fazemos somente a uma pessoa que conhecemos, amamos e acreditamos. Não se convida um estranho a entrar em nossa vida, em nossa história, em nossa casa... precisamos conhecer, acolher, partilhar, amar.
Quando Jesus é convidado pelos dois discípulos a “ficar” com eles, estes sentiam/intuiam que ele não era mais um estranho que vinha pelo caminho e lhes explicava as Escrituras, mas alguém que irradiava confiança e confiança plena; descobrem nele algo diferente... “fazia o coração arder”; reacender a chama da esperança; um novo sentido pelo qual continuar.
O convite lançado pelos discípulos de Emaus para entrar e “ficar” com eles em sua casa, em sua vida, não é dirigido a alguém que sentem como um estranho, mas um amigo que faz o coração arder, os olhos e os ouvidos se abrirem; alguém que se tornou um companheiro de jornada. A casa de suas vidas já não é mais vazia, mas se encheu de sentido, esperança, alegria, paz, segurança...
Ao dizermos “Fica conosco Senhor”, convidando Jesus a entrar em nossa vida, nos colocamos numa postura aberta de quem deseja ouvir seu convite, ser transformado, redescobrir um novo sentido para a vida. É um convite que nasce do desejo de anunciá-lo a todos, na certeza de que ele é o nosso tudo, um companheiro que deseja ficar conosco em todos os momentos de nossa vida. Alguém que nos ajuda a olhar a nossa própria caminhada com um olhar mais realista sobre nós mesmos, e as exigências do seguimento.
Dizer “Fica conosco Senhor”, implica alargar nossos horizontes, mergulhar de forma mais consciente e profunda em nossa opção por Ele e pelo Reino.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Espiritualidade do discípulo missionário a serviço das vocações

Como pressuposto para nossa reflexão, levemos em conta que a Espiritualidade sem a Mística permanece uma teoria abstrata no nível do conhecimento e não da vida. Em termos mais simples, podemos dizer que as várias espiritualidades cristãs propõem caminhos que nos levam à comunhão com Deus Trindade e à vivência decorrente desta comunhão. Já a mística é a experiência vivencial do caminhar. Não me adiantaria quase nada conhecer todo o mapa viário do país, se jamais me decidisse sair em viagem e me dirigir a algum lugar. O conhecedor das espiritualidades que não é místico jamais vai poder testemunhar a beleza do caminho, partilhar com vivacidade seus detalhes e dificilmente convencerá outros a se colocarem na busca... Seria como se alguém dissesse: “Vão a tal lugar que é muito bom!”. E lhe perguntassem: “Você já foi lá?”. E obtivessem a resposta: “não fui e não vou, mas vocês precisam ir!”.

Partamos da Palavra de Deus, na busca da Espiritualidade do Discípulo Missionário a serviço das vocações: At 9,9-22

“Havia em Damasco um discípulo de nome Ananias” (v.9ª) - O texto parte da constatação: na comunidade de Damasco havia um seguidor de Jesus Cristo, cujo nome era Ananias. Quando nos tornamos discípulos, nos tornamos num contexto histórico, num ambiente vital, numa comunidade. Não podemos conceber, um ser discípulo, sem uma pertença comunitária, eclesial. A experiência do encontro, fascinação e adesão à pessoa de Jesus só se torna plena com a participação numa comunidade onde visibilizamos nosso voluntário assentimento à sua Pessoa, Palavra e Reino. Crer implica compromisso de comunhão e participação.

“Ananias estava em oração” (vv. 10-16) - Aquele que ora, leva diante de Deus a Igreja e toda a humanidade. Sem dúvida podemos afirmar que na oração de Ananias estava presente a situação da Igreja daquele momento de perseguição e o papel que Saulo estava tendo: “Senhor, já ouvi muitos falarem deste homem e do mal que fez aos teus santos que estão em Jerusalém. E aqui, em Damasco, ele tem plenos poderes, da parte dos sumos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome” (vv. 13.14). Estar em oração era a atitude constante de Jesus e vemos nos Evangelhos, que Ele, muitas vezes, se retirava em lugares solitários para rezar e rezava por longas horas. Nos chama a atenção que na sua oração Ananias dialoga com o Senhor, não tem uma atitude passiva, priva de vida. Nos lembra a atitude orante de Moisés que “falava com o Senhor face a face, como um homem fala com seu amigo” (Ex 33,11). A oração do discípulo denota intimidade, o Senhor o chama pelo nome. Como outrora Isaias (Is 6,8) e mais recentemente Maria (Lc 1,38). Ao chamado pessoal do Senhor, se responde com disponibilidade: “Aqui estou, Senhor!” (v. 10c).

“O Senhor lhe disse: levanta-te, vai...” (v. 11). Quando o Senhor fala, desencadeia movimento, solicita colaboração, envia em missão. Se orando, permanecemos, acomodados, com certeza não estamos escutando o Senhor, só nós estamos falando, não estamos sabendo silenciar, ter coração de discípulo, pois ele não fala de modo humano, mas no coração (cf. Os 2,16).

Deus fala ao discípulo sobre uma “visão” (v.12) que o homem de Tarso acaba de ter em oração. O falar de Deus é coerente com o conjunto de sua obra, com um projeto salvífico abrangente, que vai além do síngulo individuo. Por isso, como Ananias, não temos que entender, controlar todas as implicações das solicitações que Deus nos faz. Porém, temos o “direito” de objetar: “sou gago” (Ex 4,100, “tenho lábios impuros” (Is 6,5), não vou dar conta, “sou apenas uma criança” (Jr 1,6), “eu não conheço homem” (Lc 1,34). Mas, como nestas vezes citadas, Deus não aceita os argumentos humanos e diz “Vai” (v. 15), não se preocupe, eu, o Senhor é que farei!

O discípulo é enviado, apesar de sua resistência humana, das motivações que usa para justificar uma possível não ida. O Senhor insiste: “Vai, porque este homem é um instrumento que escolhi para levar meu nome às nações” (v.15). Diante dos argumentos de Deus, a resistência humana se desfaz. Deus sabe que colocando ao discípulo a grandeza da messe, as nações a serem evangelizadas e como Deus quer sua colaboração na animação de novas vocações, o discípulo não resiste. Aquele que tem consciência dos desafios da Evangelização e da construção do Reino, não consegue ficar parado, indiferente às necessidades da Igreja. “Vão para o meio dos homens, e não tenham medo de chamar!” (João Paulo II).

Ananias vai. A obra que Deus iniciou de despertar uma nova vocação, com sua colaboração, acompanhamento e discernimento chegará à plena maturidade. Para isso, a pedagogia do discípulo missionário a serviço das vocações será a acolhida através das “portas ordinárias da Igreja”. De modo particular através dos sacramentos da iniciação cristã. “Saulo foi batizado” (v. 18b), do diálogo, da partilha, do discernimento, sobretudo do orar juntos, constatando a ação de Deus na vida do novo chamado (vv. 17.18). A missão do animador, partindo do plano espiritual dá uma nova visão (v.18) e não deixa de levar em conta também a realidade física: “Depois, Saulo alimentou-se e recuperou as forças” (v. 19).

A partir deste momento o discípulo que ganha a cena é Paulo, a comunidade se maravilha com a obra que Deus realizou em sua vida e a veemência com que ele prega que Jesus é o Cristo. Ananias “desaparece”, segue sua vida de discípulo missionário, dedicando-se à oração e a à docilidade às solicitações de Deus. Sem dúvidas dentro de cada animador ou animadora vocacional, Ananias continua seu discipulado missionário à serviço das vocações!

Virtudes necessárias ao animador(a) vocacional:
Discípulo → pessoa de Igreja → orante → conhecedor da realidade → aberto no diálogo com Deus e com os irmãos → disponível → acolhedor → siga seu caminho com discrição.

Frei Jorge J. Correa, ocd

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Regionais da CNBB realizam seus Congressos Vocacionais

Em vista do 3º Congresso Vocacional do Brasil que acontecerá entre os dia 3 a 7 de setembro em Itaici/SP, o Serviço de Animação Vocacional (SAV) do Regional Sul 3 da CNBB (Rio Grande do Sul) promove, nos próximos dias 26 e 27, em Porto Alegre, o Congresso Regional do SAV que pretende reunir as 18 dioceses do regional.
O evento contará com assessoria do padre Ângelo Ademir Mezzari e, tem como meta, entrar em sintonia com o Congresso Nacional, enfatizando os trabalhos realizados em cada diocese no que se refere à missão do serviço vocacional e à motivação dos animadores vocacionais. Irmã Narciso Camatti, destacou que no regional “por vezes encontramos animadores vocacionais desmotivados. Então um evento como esse vem dar força a essas pessoas e vem mostrar os passos positivos na caminhada do trabalho vocacional”.
O Regional Leste 2 (MG, RJ, ES) realizará seu Congresso Vocacional entre os dias 30 e 31 de julho a 1º de agosto, no Centro de Formação Martina Toloni, em Vilha Velha (ES).
Segundo a coordenadora do SAV Regional, Ir.Gervis Monteiro, o objetivo deste Congresso é "despertar a consciência de que somos uma Igreja de discípulos missionários a serviço das vocações". Para o integrante do SAV Leste 2 e organizador do Congresso Vocacional , Pe. Márcio Sousa, a arquidiocese de Vitória está se preparando, através de várias equipes, para organizar e receber os participantes da melhor forma possível. Maiores informações podem ser obtidas pelo e-mail para congressovocacional@gmail.com ou pelo telefone (27) 3223-6711.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Irmãs Apostolinas acolhem Superiora e Conselheira Geral


Entre os dias 07 a 20 de junho a comunidade das Apostolinas de São Paulo, teve a alegria de receber a Visita Fraterna das irmãs Franca Laratore (superiora geral) e irmã Marina Beretti (conselheira geral).
Nestes dias as irmãs tiveram a oportunidade de acompanhar os trabalhos realizados pela comunidade, conhecer alguns colaboradores vocacionais e jovens que as irmãs estão acompanhando.
A Visita Fraterna foi marcada pela ação de graças dos 25 anos de presença Apostolina em terras brasileiras; possibilitou um tempo de partilha, encontro e avaliação do projeto apostólico e comunitário lançando, desta forma, novas luzes na vida e missão em vista da comunidade.
As irmãs tiveram ainda a oportunidade de conhecer a alegria das festas juninas e experimentar algumas sabores novos típicos deste período e visitar a casa de nossa Mãe Aparecida.
A última etapa desta Visita Fraterna, dos dias 21 a 27 de junho, está acontecendo em terras maranhenses, com a comunidade apostolina presente na diocese de Balsas.